Estado da América do Sul, com 406 752 km2 e 5 400 000 habitantes e capital em Assunção.
No fim do século XVI, a conquista do Paraguai, pátria dos guaranis, não se consumou por causa da resistência encarniçada deste povo índio.
Para salvar os índios da escravidão isolando-os da sociedade espanhola, os jesuítas fundaram cerca de 30 reduções, que serviam ao mesmo tempo para evangelização dos índios e para a sua organização económica e social de acordo com um esquema racional e planificado: assim se constituiu uma república jesuítica, que, a partir de 1630, pela sua vitalidade e desenvolvimento, inquietou os colonos brancos.
Com a cumplicidade das autoridades coloniais, os caçadores de escravos destruíram as reduções, mas os índios, armados, resistiram com eficiência aos espanhóis e aos portugueses do Brasil.
No século XVIII, o grupo de pressão colonial hostil às reduções acabou por vencer: devido à supressão da Companhia de Jesus em Portugal (1759), na América (1767) e a sua abolição por Roma (1773) terminaram as reduções dos guaranis, que foram entregues à pilhagem e repartidas quando da independência da América Latina, entre o Paraguai, o Uruguai e a Argentina: um verdadeiro genocídio acompanhou essas espoliações.
O Paraguai isolou-se dos seus vizinhos por vontade do ditador José Gaspar Rodriguez de Francia (1766-1840), senhor, de 1812 a 1840, de um país sem aristocracia branca importante, povoado principalmente por mestiços e índios, a que assegurou ao mesmo tempo a indpendência e o bem-estar.
Os sucessores de Francia, Carlos Antonio López (de 1844 a 1862) e Francisco Solano López (de 1862 a 1870) mantiveram o seu rigoroso autoritarismo e prosseguiram o desenvolvimento do país. Mas Francisco Solano López, desejando recuperar territórios guaranis na fronteira brasileira, manteve durante cinco anos (1865-1870) contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai uma guerra terrível, que lhe custou a vida e também a de um milhão de paraguaios.
Este desastre favoreceu a implantação do sistema oligárquico, o triunfo dos grandes proprietários que, conservadores ou liberais, ocuparam o poder alternadamente de 1870 a 1932, impondo ao país o seu autoritarismo.
De 1932 a 1935, ocorreu nova sangria com a guerra do Chaco, ao termo da qual a Bolívia foi vencida e o Paraguai exaurido.
Desde então, os militares, percebendo o absurdo dos sacrifícios ligados aos interesses oligárquicos, descobriram o nacionalismo revolucionário e tomaram nas mãos as rédeas do país. Desde 1954, apesar de uma oposição crescente, o general Alfredo Stroessner, constantemente reeleito presidente da república, é o senhor absoluto da política do Paraguai.
("Nova Enciclopédia Larousse", edição Selecções do Reader's Digest)
Em Fevereiro de 1989, Stroessner seria deposto por um golpe militar, liderado pelo General Andrés Rodríguez, posteriormente eleito Presidente. Por fim, em Maio de 1993, Juan Carlos Wasmosy foi eleito para um mandato de 5 anos, inaugurando um período de modernização do país.
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